terça-feira, 11 de agosto de 2015

9º mandamento: Ela é sensata

“Abigail – Uma Mulher Sensata
Parte 1″ por Pr. Edson Azevedo
by Roberta Macedo da Bíblia
Meu nome é Abigail e tenho uma história para contar a todas as pessoas, principalmente às mulheres, a fim de acompanharem tudo quanto me sucedeu na vida, para que tomem lições de como se deve proceder bem, principalmente em situações adversas, pois sei que a vida é muito dura e que nós mulheres precisamos estar muito perto do Senhor, a fim de minimizar os efeitos da maldade humana que nos acomete. Eu me sinto muito mais encorajada a contar a minha história porque Deus achou por bem registrá-la no livro sagrado dele – a Bíblia – para ficar para a posteridade. Assim, quero enfocar alguns aspectos da minha vida que julgo importantes para a edificação de todos.
Meu nascimento e criação – Sou uma mulher judia. Nasci dentro da aliança de Deus com o nosso pai Abraão. Além de ser sua descendente segundo a carne, sou também sua descendente segundo a fé. Um dos meus maiores privilégios é ter tido pais piedosos, que me criaram segundo as prescrições de Deus, conforme contidas em Deuteronômio 6.6-9. Lembro-me que ainda na tenra idade meus pais me conduziam pelos caminhos do Senhor. Foi em casa mesmo onde cursei o primário, colegial e universidade, e os meus mestres foram meus pais. Em casa, eles me ensinavam os caminhos do Senhor, suas leis, seus estatutos, ajudando-me a decorar todas as palavras do Senhor. Quando papai estava trabalhando, mamãe me perguntava sobre a lei do Senhor, a ver se eu já tinha decorado, e esse era um exercício contínuo lá em casa, muitas vezes ao dia.
Lembro-me que ao acordar, já via minha mãe ao meu lado, na cama, conduzindo-me a cantar um salmo de louvor a Deus; depois ela fazia uma oração e então começávamos o dia. Papai já tinha saído muito cedo para o trabalho, o dia ainda estava escuro. Mas à tardinha, quando ele retornava, chamava-me e, então, me perguntava como tinha sido o meu dia, e aí começava uma sessão de perguntas e respostas sobre a lei do Senhor, sobre os seus atos em libertar os nossos pais do Egito, sobre as suas obras maravilhosas, e eu fui absorvendo toda aquela atmosfera divina dentro de casa. Aos cinco ou seis anos eu já era capaz de reproduzir muitos atos portentosos realizados por Deus a favor do seu povo, e aquilo me enchia de prazer e também de temor pelo meu Senhor. À medida que fui crescendo, as lições foram se intensificando e meus pais sempre apertavam comigo para que eu soubesse cada vez mais a fundo os preceitos de Deus. Na minha pouca idade, eu não poderia imaginar que aquilo viria a me dar tanto lucro no futuro, quando as dificuldades da vida me apertariam com as suas circunstâncias. Tudo isso se tornou uma maravilha prática na minha vida, pois eu aprendi a respeitar o próximo, seus direitos, os meus deveres, a honra devida às autoridades, a reverência devida a Deus, e tudo aquilo foi construindo o meu caráter, de tal maneira que, mesmo ainda muito jovem, aos doze ou treze anos, eu já tinha uma maturidade bem considerável e era muito amada pelos meus pais e familiares em geral, fazendo-me lembrar das palavras do salmista: “tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação” [Salmo 119.99]. De fato, ao me deitar, eu ficava meditando em como a vida vivida segundo os mandamentos do Senhor era boa de ser vivida. Eu me alegrava no Senhor e esperava sempre nele.
Meu casamento e início da vida conjugal – Um dia meus pais decidiram que eu deveria casar, pois, segundo eles, eu já estava na idade de ser dada a um homem da aliança [eu e todas as moças do lugar fomos instruídas que só deveríamos casar com rapazes que temessem a Deus, que fossem da aliança, que fossem do povo santo, pois essa era a vontade de Deus]. Meus pais me julgaram apta tanto fisicamente, como no caráter e maturidade (e aqui preciso dizer que eram gritantes as diferenças entre os jovens da aliança e os jovens cananeus – os nossos vizinhos, povos que não eram da aliança – conforme ouvíamos falar; enquanto aos 17 ou 18 anos nós já estávamos com o caráter formado, com noção completa dos nossos direitos e deveres para com Deus e para com o próximo; os jovens cananeus eram dispersos e segregados, sem conhecer limites de coisa alguma, onde cada qual vivia pela sua própria cabeça e pelo mau exemplo dos mais velhos).
Foi assim que num determinado dia eu conheci aquele que seria o meu marido. Meus pais marcaram uma reunião com outra família da tribo de Judá, da casa de Calebe, e no dia aprazado eles vieram à nossa casa para uma refeição e ali eu conheci aquele que seria o meu marido. Depois de uma refeição de congraçamento, fomos apresentados e as intenções foram declaradas. Tudo foi aprovado e a data do enlace foi marcada. Como toda moça, enchi-me de emoção, pois constituiria uma família e teria filhos, herança do Senhor. O nome do rapaz era Nabal e não tive tempo para conhecê-lo, pois isso se daria somente depois do casamento. Mas pude perceber, mediante poucas informações da sua mãe, que ele era muito trabalhador, que tinha muita facilidade de multiplicar rebanhos e comercializar. Apenas isso ela disse acerca dele. No dia marcado casamos, e foi uma grande festa. Os familiares e toda a redondeza compareceram para as bodas, que duraram em torno de uma semana. Depois da festa, deixei a casa de meu pai e fui morar com Nabal, iniciando a nossa vida conjugal. Os primeiros dias não foram fáceis, pois Nabal era ríspido no falar, dedicado em demasia ao trabalho, com muitos planejamentos para multiplicar rebanhos, vendê-los e auferir lucros; Acordava muito cedo e ia dormir tarde e praticamente não vivia a vida comum do lar e nem me dava atenção. Lembrei-me da Palavra de Deus através do salmista quando disse: “Inútil vos será levantar cedo, dormir tarde, comer o pão que penosamente granjeaste, pois aos seus amados Ele o dá enquanto dormem” [Salmo 127.2]. Meu marido Nabal definitivamente não temia a Deus e, por isso, confiava muito no seu braço, na sua força. Praticamente não tínhamos momentos de devoção doméstica; ele não falava da Palavra de Deus, não me instruía, e eu percebia claramente que ele tinha um sofrível conhecimento de Deus e dos seus preceitos. Senti-me frustrada com o meu marido, pois entendi que ele não me guiaria pela Palavra de Deus, como um marido da aliança deveria fazer com a sua esposa e filhos. Senti-me só e o meu consolo foi o Senhor. Tudo quanto aprendi enquanto na casa dos meus pais valeram-me nessa hora de escassez espiritual, quando o meu governador não estava sendo um marido conforme os preceitos do Senhor. No entanto, procurava ser uma esposa excelente, sendo-lhe submissa, cuidando dele, ajudando-o a voltar-se para o Senhor. No começo falei muito acerca da lei do Senhor, mas ele me olvidava, até que me calei. A partir daí, procurei ganhá-lo sem palavras, somente mediante o meu testemunho como esposa fiel e temente a Deus.

Continua…
“Abigail – Uma Mulher Sensata – Parte 2
Abigail e Davi
Como exerci a sabedoria da Escritura e evitei uma tragédia – Certo dia se soube que uns homens estavam acampados perto de onde os nossos rebanhos pasciam, nas proximidades da nossa fazenda. Soubemos que se tratava de um valoroso soldado do nosso rei Saul, que havia deserdado das hostes de Israel porque o rei sentiu ciúmes dele porque ele ganhava fama rapidamente quando retornava das batalhas, em todas vencedor, e o povo o saudava e o engrandecia acima mesmo do rei. Mas o comentário geral era que se tratava de um soldado leal e que tinha o rei em alta conta, respeitando-o como o ungido do Senhor. O nome desse soldado era Davi. Então, tendo deserdado, esse soldado foi acompanhado por uma turba de homens desocupados e endividados, que encontraram nele um líder. Esses homens, então, estavam acampados bem perto onde os nossos empregados cuidavam dos rebanhos. Um dia, o líder deles – Davi –enviou alguns dos seus moços a pedir algum tipo de ajuda ao meu marido, qualquer coisa, a fim de serem ajudados na vida difícil que estavam levando na qualidade de fugitivos. Os moços vieram de forma humilde até a nossa fazenda e apresentaram a solicitação, mas foram duramente respondidos pelo meu marido, que mandou que os rapazes levassem um recado muito desaforado, mesmo os rapazes tendo dito na apresentação que não estavam ali cobrando nenhum direito, embora estivessem fazendo o bem aos rebanhos, respeitando os pastores, servindo de proteção para eles e para os rebanhos, mas nem assim meu marido os ouviu, despedindo-os de mãos vazias e ainda fazendo-os levar uma atrevida resposta. Eu mesma não vi a cena, mas fui informada rapidamente por um dos servos da fazenda, que me procurou e relatou como os rapazes vieram com humildade e falaram ao meu marido e como ele disparatou com eles. O meu empregado me fez um relato tão vívido e impressionante, que pude enxergar que a sabedoria divina estava nele, pois que também é filho de Abraão, tendo sido criado na instrução da Palavra de Deus, por isso da sabedoria que manifestou ao fazer a leitura correta de tudo quanto presenciou, dando inclusive possibilidades exatas do que aconteceria, caso não fosse tomada uma providência. Antes que pudesse agir, glorifiquei a Deus porque vi se cumprir no meu servo as palavras de que “a lei do Senhor é perfeita e dá sabedoria aos símplices” [Salmo 19.7], e também exultei no Senhor porque Ele oculta essas coisas dos sábios e entendidos e as revela aos pequeninos. Depois disso, e movida pelo alerta do meu empregado, e também sendo pressionada pela Palavra de Deus, que me ensinou a ter espírito conciliador, espírito bondoso, espírito ajudador, preparei rapidamente uma feira considerável, com a ajuda dos criados, carreguei os mulos e parti pressurosa com alguns criados, sem nada dizer ao meu marido. Nada disse a ele não por falta de submissão, mas porque se fosse dizer ele certamente me impediria, e, nesse caso eu não poderia ser impedida de agir, pois havia risco de vida no episódio. Lembrei-me das parteiras judias, Sifrá e Puá, que para preservar a vida dos recém-nascidos de Israel, quando sob o cativeiro egípcio, desobedeceram a Faraó a fim de livrarem da morte os pequeninos. Lembrei-me também de Raabe, a moradora de Jericó que protegeu os espias mandados por Moisés, escondendo-os dos que os procuravam para matá-los, e os encaminhou de volta ao seu porto-destino. Então, parti a toda pressa rumo a Davi e seus homens, a fim de evitar uma tragédia que certamente se abateria contra os homens da nossa fazenda, porque nesses casos de afronta, o costume do afrontado era matar todos os homens. A certa altura do caminho, encontrei Davi e seu bando vindo céleres na direção da nossa fazenda. Eu gelei, porque toda a nossa expectativa se mostrou verdadeira. Vi como a sabedoria de Deus, presente no meu servo, o conduziu a mim, e juntos lutamos para pacificar essa situação. Quando nos aproximamos de Davi, imediatamente eu desci do meu mulo e me inclinei diante dele, prostrando-me sobre o meu rosto até a terra. Aquela atitude minha foi um gesto de respeito, mas também de paz. Eu precisava mostrar rapidamente a disposição do meu coração, e a forma mais prática que encontrei foi prostrar-me e me inclinar até a terra, deixando clara a minha disposição de paz. Depois disso fui além: lancei-me aos seus pés e assumi qualquer culpa decorrente de uma mulher que se dirige a um homem sem ser chamada, algo que não poderia acontecer na nossa sociedade, por causa da obediência ao 5º mandamento da lei do Senhor. Como Davi não reprovou a minha iniciativa de falar a um homem sem ser chamada, então entendi que poderia prosseguir no meu argumento, que ele estaria pronto a me ouvir. Prossegui descrevendo o espírito louco do meu marido, e que em nada eu compactuava com a atitude dele em afrontar os moços que o procuraram. Eu disse também que não estava presente quando os rapazes chegaram para apresentar o pleito. Chamei a atenção de Davi para o fato de que a minha intervenção o impedia de derramar sangue e vingar-se pelas próprias mãos e classifiquei todos os seus inimigos como procedendo semelhantes ao meu marido, isto é, com loucura (disse isso porque o que ouvíamos acerca de Davi era que era um soldado leal e mesmo assim era vítima de ciúme, perseguição e tentativa de homicídio, o que se constituía numa tremenda injustiça). Ao falar, percebi que minhas palavras estavam produzindo os efeitos que a sabedoria promete produzir, isto é, estavam apaziguando o ânimo exaltado de Davi. Essa é a grande vantagem de falar segundo os oráculos de Deus, segundo a sabedoria que Ele nos ensina na sua Palavra. Um só argumento segundo a Palavra do Senhor vale mais do que milhares de preceitos humanos e sabedoria pessoal. Antes de concluir o meu argumento, apresentei a Davi e seus homens o presente que havia trazido para eles: comida, muita comida, farta e saborosa, com a qual eles poderiam saciar a fome e ainda sobraria para outras refeições. Terminei pedindo perdão pela minha transgressão – por ter dirigido a palavra a ele sem que ele a tenha dirigido primeiro a mim – e então pronunciei as palavras que normalmente são endereçadas aos ungidos do Senhor (pois ouvíamos que o Senhor havia rejeitado a Saul e ungido a Davi em seu lugar, segundo todas as palavras do nosso pai Samuel, o profeta): Disse a ele que o Senhor o protegeria dos inimigos, e que estes seriam arrojados para longe, e para isso usei todos os meus dons poéticos, aprendidos e desenvolvidos na minha juventude. Ainda lembrei a Davi que quando ele ascendesse à condição de príncipe do povo de Deus, o sangue do meu marido – caso ele o poupasse – não seria peso na sua consciência (por ter exercido a vingança pessoal, algo da exclusiva autoridade de Deus) ao longo do seu reinado. Depois que falei tudo isso, então Davi tomou a palavra e bendisse a Deus, reconhecendo que foi o Senhor que me enviou até ele, e bendisse a minha prudência e a minha pessoa, reconhecendo que a minha argumentação o impediu de cometer um crime contra Deus. Eu tenho plena consciência que nada fiz de mim mesmo, mas a Palavra de Deus em mim foi quem agiu dessa forma sábia, conduzindo as coisas pelo caminho da paz, desarmando fortalezas e estabelecendo a glória de Deus.
Minha viuvez e meu novo casamento – Tendo Davi recebido o presente das minhas mãos, e tendo ficado declarado que a paz havia prevalecido, montei no meu mulo e retornei à minha casa juntamente com os meus servos. Ao chegar em casa, Nabal estava em pleno banquete (a festa que fazíamos comumente quando da tosquia das ovelhas, pois significava a prosperidade da fazenda e a bênção do Senhor) e o banquete era ao estilo regalado, tudo do bom e do melhor. Como percebi que ele estava já dominado pelo vinho, nada lhe referi do acontecido (pois uma esposa nada pode ocultar do seu marido, principalmente num caso grave desse). Esperei, então, a festa terminar e Nabal dormir o sono dos embriagados. Mas, assim que ele acordou no dia seguinte, e ainda na cama, eu lhe contei tudo quanto acontecera, sem lhe encobrir qualquer detalhe. A reação dele foi uma profunda comoção, ficando completamente imóvel. Senti que a situação dele era grave e chamei depressa os criados e mandei buscar os médicos para diagnosticarem e cuidarem do meu marido. O amor da esposa pelo marido deve conduzi-la a agir para com ele da melhor maneira, tudo por causa do temor do Senhor, independente de quem ele seja, do seu caráter, da sua ignorância ou brutalidade. Tudo pode acabar, mas o amor jamais acaba. Os médicos vieram e disseram que a situação dele era muito grave. Eu me dediquei a ele ao máximo, cuidando dele e tudo fazendo para que ele se sentisse bem e fosse curado. Mas essa cura não veio e depois de dez dias o Senhor o tomou. Chorei meu marido e chorei pela minha viuvez. Mas nunca deixei de confiar em Deus, tendo nele o meu refúgio. Nos dias seguintes pude perceber na prática aquilo que sempre cantei no Salmo 146, que Deus ampara o órfão e a viúva, e isso me confortou o coração e me senti plenamente segura, mesmo na minha viuvez. Depois de um tempo passado, Deus providenciou-me um novo casamento. Estando eu em casa, recebi uns moços que me traziam uma proposta de casamento, mandada justamente por Davi. Eu sei que Deus me fez uma mulher formosa, porém, tenho absoluta certeza que Davi, sendo um homem de Deus, não se deixou encantar pela minha beleza, mas pela minha sensatez. O que me enfeitava não era a minha beleza, mas a minha prudência. Lembro-me que quando estive com ele, argumentando, e ao terminar, ele elogiou não a minha beleza, mas a minha prudência. Eu sempre aprendi da Palavra de Deus que os enfeites de uma mulher não são as jóias, os pendentes, as arrecadas, mas as boas obras de obediência aos preceitos do Senhor. A beleza passa e vã é a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada. Enquanto pensava na proposta, entendi que foi Deus quem deparou essa nova oportunidade para mim. Reuni minhas moças e juntas fomos ao encontro de Davi. Ao chegar, fui recebida por ele, que me tomou como esposa.
Às mulheres que viverão depois de mim, digo que não há tesouro maior do que ser instruída na lei do Senhor. As rendas que ela nos proporciona são bem maiores do que o fino ouro, mesmo o ouro depurado. Fui enriquecida desde a minha meninice e me tornei mais e mais rica no temor do Senhor, algo que me acompanhou por toda a vida e me ensinou a agir de conformidade com a vontade de Deus. Por tudo isso eu as encorajo a também temerem a Deus, procurando aprofundar-se na sua Palavra, a fim de manter a submissão ao pai, ao marido, às autoridades da igreja, pois somente desta forma é que tudo lhes irá bem, pois serão sempre louvadas e a glória do Senhor será estabelecida.
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Pr edson azevedo


Fonte: 
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